Não sabia ela o quanto daquilo era verdade. Tinha escrito ele três frases que perfeitamente lhe cabiam. Ora, porque motivo ele não lhe destinara diretamente aquele acúmulo de palavras?
Foi assim: na primeira, com ar de orgulho macho, lhe esnobou com uma deixa afirmativa; Na segunda, tentando confundi-la, a desejou de forma confusa e imprecisa; Na terceira, submisso, porém ausente,se dispôs a continuar... supõe!
Ela se confunde... e segue inspirada, tentando tomar pra si aquele sujeito misterioso. Ela se despe, ele se perde em meio a distancia que os separa... como um coringa, faz surgir seus truques... e ela sempre cede, porque quer!Mas se preocupa com a demora...
quarta-feira, 30 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Acontece!
Pensando na dor da princesa traída, terminou seu cigarro, escovou os dentes, fez um bochecho rápido com um branqueador barato, ajeitou o cabelo em frente ao espelho e foi, ao encontro do destino.
Acreditava em astrologia. Acreditava a tal ponto, que quando era reprimida por algum tipo de comportamento inadequado, pensava: os astros são os culpados, eles me fizeram assim. Merda de marte em escorpião, isto me deixa muito agressiva. Foda-se!
8 quadras até a próxima parada de ônibus, passos lentos e a idéia fixa na traição que tinha sofrido a princesa. Ofegante, corre alguns metros para conseguir alcançar o ônibus que já estava no ponto. Sorri largamente quando entra, e pensa no quanto deve ser rica a vida de um motorista. E tediosa. Se escora em um ferro, pois todos os assentos estão ocupados e se compadece com uma velha mulher, de olhos esbugalhados, que segue, igualmente em pé. Pensa como são injustos os jovens que não sedem lugar a estas criaturas cansadas. Três pontos depois, uma cadeira vaga em sua frente. Ela senta e se nega a reconhecer as injustiças etárias que ocorrem dentro do transporte público urbano.
Terminal de ônibus. Agitada, desce e procura a placa de parada da linha que precisa. Segue e se posiciona bem na ponta da flechinha que indica o lugar exato em que a porta irá abrir. Se sente orgulhosa. Finalmente poderá escolher o seu lugar. Posiciona-se, ao seu lado, encosta uma senhora tensa, com todas as partes do corpo comprimidas. Ofendida, da um passo a frente tentando garantir o lugar que lhe é de direito. Vira a cara.
Passos rápidos, agora o tempo a pertencia novamente. Din-don! Din-dom! a porta abre e uma luz dissipada foge pela sua fresta. Ouve um grito: entra! Deixei o portão aberto. Clack! O barulho do fechamento do portão lhe pareceu mais alto que de costume. Tum-tum! Tum-tum! Tum-tum! O coração dispara, as mãos gelam, o sorriso empedra e os passos se seguem mais lentos, quase parados. Não podia entender o porquê daquilo, nada havia feito de anormal.
O dono da casa veio ao seu encontro, questionando o porquê de tanta demora, e a puxou pelo braço. Ela fechou a mão afim de que ele não percebesse sua temperatura. A casa estava uma penumbra, e no fundo da sala escura pode perceber um vulto calmo e majestosos que produziu um som bem parecido com um oi qualquer. Ela ficou muda. Então, aquele vulto veio ao seu encontro e tinha um cheiro que envolvia qualquer um que se aproximasse.
Boa noite, eu sou o Marco, amigo de infância do Lucas, muito prazer! – silêncio – seu nome? Como é seu nome? E com uma voz quase que imperceptível ela pode responder: Michele. Como? Perdão! não entendi. Nisso, Lucas interveio salvando-a daquela resposta complexa: Michele, o nome dela é Michele. A Michele é uma grande amiga minha, a melhor, diria! Somos unha e carne, mais que isso, somos mais... Enquanto isso, Michele acompanhava com o olhar inquieto e o corpo estático, os movimentos dos dois na sua frente. Não escutava nada. Não entendia nada. Estava ali, imóvel e nem sabia o por que.
Até que percebeu Lucas comentar com o amigo: nossa, a Michele esta tão estranha hoje, nunca a tinha visto deste jeito, deve ter se impressionado com a sua presença! Assustada com aquele comentário, soltou uma falsa e estridente gargalhada. Todos riram! Conversaram, jantaram, beberam e o amigo se foi. Naquela noite, Michele precisou se alojar ao lado do amigo-irmão para que pudesse conseguir dormir. Dormiram de conchinha e no outro dia, ao acordar, pouco se lembrava do ocorrido, em sua mente só havia lugar pra uma coisa: Marco.
Banho, café, carícias e alguns comentários perdidos foram suficientes pra que pudesse reunir suas forças e enfrentar duas horas de ônibus lotado até chegar a sua própria vida. Todo o percurso foi repleto de Marco. O via em todos os lugares, buscava seu cheiro, seu vulto, seu gosto que ainda não provara, mas que já sabia que era o melhor.
Ao entrar em casa quase que não se reconhece. Busca as marcas de Marco, com a certeza de ele já ser parte de toda sua existência. Não encontra nada que o identifica. Se sente sufocada, as mãos geladas, o coração acelerado, os passos lhe faltam e então ela grita a dor da perda daquele homem que era tão seu.
Acreditava em astrologia. Acreditava a tal ponto, que quando era reprimida por algum tipo de comportamento inadequado, pensava: os astros são os culpados, eles me fizeram assim. Merda de marte em escorpião, isto me deixa muito agressiva. Foda-se!
8 quadras até a próxima parada de ônibus, passos lentos e a idéia fixa na traição que tinha sofrido a princesa. Ofegante, corre alguns metros para conseguir alcançar o ônibus que já estava no ponto. Sorri largamente quando entra, e pensa no quanto deve ser rica a vida de um motorista. E tediosa. Se escora em um ferro, pois todos os assentos estão ocupados e se compadece com uma velha mulher, de olhos esbugalhados, que segue, igualmente em pé. Pensa como são injustos os jovens que não sedem lugar a estas criaturas cansadas. Três pontos depois, uma cadeira vaga em sua frente. Ela senta e se nega a reconhecer as injustiças etárias que ocorrem dentro do transporte público urbano.
Terminal de ônibus. Agitada, desce e procura a placa de parada da linha que precisa. Segue e se posiciona bem na ponta da flechinha que indica o lugar exato em que a porta irá abrir. Se sente orgulhosa. Finalmente poderá escolher o seu lugar. Posiciona-se, ao seu lado, encosta uma senhora tensa, com todas as partes do corpo comprimidas. Ofendida, da um passo a frente tentando garantir o lugar que lhe é de direito. Vira a cara.
Passos rápidos, agora o tempo a pertencia novamente. Din-don! Din-dom! a porta abre e uma luz dissipada foge pela sua fresta. Ouve um grito: entra! Deixei o portão aberto. Clack! O barulho do fechamento do portão lhe pareceu mais alto que de costume. Tum-tum! Tum-tum! Tum-tum! O coração dispara, as mãos gelam, o sorriso empedra e os passos se seguem mais lentos, quase parados. Não podia entender o porquê daquilo, nada havia feito de anormal.
O dono da casa veio ao seu encontro, questionando o porquê de tanta demora, e a puxou pelo braço. Ela fechou a mão afim de que ele não percebesse sua temperatura. A casa estava uma penumbra, e no fundo da sala escura pode perceber um vulto calmo e majestosos que produziu um som bem parecido com um oi qualquer. Ela ficou muda. Então, aquele vulto veio ao seu encontro e tinha um cheiro que envolvia qualquer um que se aproximasse.
Boa noite, eu sou o Marco, amigo de infância do Lucas, muito prazer! – silêncio – seu nome? Como é seu nome? E com uma voz quase que imperceptível ela pode responder: Michele. Como? Perdão! não entendi. Nisso, Lucas interveio salvando-a daquela resposta complexa: Michele, o nome dela é Michele. A Michele é uma grande amiga minha, a melhor, diria! Somos unha e carne, mais que isso, somos mais... Enquanto isso, Michele acompanhava com o olhar inquieto e o corpo estático, os movimentos dos dois na sua frente. Não escutava nada. Não entendia nada. Estava ali, imóvel e nem sabia o por que.
Até que percebeu Lucas comentar com o amigo: nossa, a Michele esta tão estranha hoje, nunca a tinha visto deste jeito, deve ter se impressionado com a sua presença! Assustada com aquele comentário, soltou uma falsa e estridente gargalhada. Todos riram! Conversaram, jantaram, beberam e o amigo se foi. Naquela noite, Michele precisou se alojar ao lado do amigo-irmão para que pudesse conseguir dormir. Dormiram de conchinha e no outro dia, ao acordar, pouco se lembrava do ocorrido, em sua mente só havia lugar pra uma coisa: Marco.
Banho, café, carícias e alguns comentários perdidos foram suficientes pra que pudesse reunir suas forças e enfrentar duas horas de ônibus lotado até chegar a sua própria vida. Todo o percurso foi repleto de Marco. O via em todos os lugares, buscava seu cheiro, seu vulto, seu gosto que ainda não provara, mas que já sabia que era o melhor.
Ao entrar em casa quase que não se reconhece. Busca as marcas de Marco, com a certeza de ele já ser parte de toda sua existência. Não encontra nada que o identifica. Se sente sufocada, as mãos geladas, o coração acelerado, os passos lhe faltam e então ela grita a dor da perda daquele homem que era tão seu.
domingo, 27 de junho de 2010
Positivo.
Positivo.
Positivo! Era isto que estava escrito naquele pedaço de papel sem vida. Naquele momento senti que minha vida tinha acabado. Positivo! Aquele termo martelava de forma constante em meus pensamentos, e não sabia mais o que fazer além de tentar entender o que deu errado.
Positivo, ponto. Com frieza e crueldade, aquela palavra, única e repleta de significados, explodiu dentro de mim. Choro histérico, desespero, idéias confusas... Mascar folha de boldo, tomar chá de canela, a Celina vai pro Paraguay! Beber até entrar em coma. Rolar ladeira abaixo, cair da escada, enfiar uma agulha pra ver se cai... Contar pro pai! Contar pro pai!!!
Muitos meses se passaram e aquela palavra me acompanhou, crescendo e tomando forma. As coisas se ajeitaram, tinha quarto, colchão e roupa. O Tum-tum ganhava mais vida a cada dia, e eu me impressionava com a capacidade daquilo se desenvolver. Nunca havia me imaginado naquela condição.
- Socorro! Socorro! Acho que fiz xixi na cama! Ta doendo! Ta doendo muito! Ninguém me ajuda!!! Ajudaaaaaaaaaa!!!!!!!! E o vizinho rompe o desespero, invadindo porta a dentro seu pequeno mundo.
Ambulâncias, sirenes e luzes, muitas luzes. Máscaras, tocas, tubos, canos, metais... muito barulho de metal... e um choro! Um berro! Um estouro!
Uma mistura de elementos, um pedaço de gente e muito sangue. Ele se aproxima, eu beijo. Risos e festa! É uma menina! E uma menina! Termine todo o procedimento e leve pro pai ver. Leve-pro-pai-ver... Leve-pro-pai-ver! Pai?
Positivo! Era isto que estava escrito naquele pedaço de papel sem vida. Naquele momento senti que minha vida tinha acabado. Positivo! Aquele termo martelava de forma constante em meus pensamentos, e não sabia mais o que fazer além de tentar entender o que deu errado.
Positivo, ponto. Com frieza e crueldade, aquela palavra, única e repleta de significados, explodiu dentro de mim. Choro histérico, desespero, idéias confusas... Mascar folha de boldo, tomar chá de canela, a Celina vai pro Paraguay! Beber até entrar em coma. Rolar ladeira abaixo, cair da escada, enfiar uma agulha pra ver se cai... Contar pro pai! Contar pro pai!!!
Muitos meses se passaram e aquela palavra me acompanhou, crescendo e tomando forma. As coisas se ajeitaram, tinha quarto, colchão e roupa. O Tum-tum ganhava mais vida a cada dia, e eu me impressionava com a capacidade daquilo se desenvolver. Nunca havia me imaginado naquela condição.
- Socorro! Socorro! Acho que fiz xixi na cama! Ta doendo! Ta doendo muito! Ninguém me ajuda!!! Ajudaaaaaaaaaa!!!!!!!! E o vizinho rompe o desespero, invadindo porta a dentro seu pequeno mundo.
Ambulâncias, sirenes e luzes, muitas luzes. Máscaras, tocas, tubos, canos, metais... muito barulho de metal... e um choro! Um berro! Um estouro!
Uma mistura de elementos, um pedaço de gente e muito sangue. Ele se aproxima, eu beijo. Risos e festa! É uma menina! E uma menina! Termine todo o procedimento e leve pro pai ver. Leve-pro-pai-ver... Leve-pro-pai-ver! Pai?
sábado, 26 de junho de 2010
590 PALAVRAS PARA UM AMOR QUE NÃO NASCEU.
“Aos caminhos, eu entrego o nosso encontro.”
Caio Fernando Abreu.
Teus olhos, decepcionados, encontraram finalmente os meus. Aquele foi o sinal de que nunca mais o teria novamente (se bem que nem cheguei a ter, mas queria).
Vida cheia, carteira vazia e muitos esforços pra sobreviver! Nenhuma novidade, até então. Viví e pronto. Números, escola, faculdade, eventos culturais, amigos, conversas longas e prazerosas. Canções! Teve de tudo nestes quase 5 anos que não nos vimos. Confesso, que nas poucas vezes que te encontrei senti imensa vontade de te beijar, assim, sem vergonha mesmo, mas me disseram que não podemos fazer isso... Ceder às próprias vontades pode ser um tanto perigoso. Fatal!
Ok, vontades a parte, encontros raríssimos, sonhos sonhados e não concretizados, acontecimentos sem importância, na maior parte dos dias, preenchem o vazio da minha existência. Novamente vivo.
A bem da verdade é que esteve sempre nos meus pensamentos, mesmo de longe, mesmo bemmmm distante, sempre habitou um pedaço, pequeno, reconheço, dos meus mais puros desejos. Acho que andei meio ocupada nestes tempos idos, também, eu nem sabia teu nome. Sabia que era diferente, e só.
Queria, naquele momento, poder encontrar alguém com quem pudesse compartilhar meus mais secretos desejos, e eis que me deparo, naquelas páginas virtuais, com um convite amistoso. Lá, naquele pedaço colorido de informação eu senti que poderia te encontrar. Achei o nome que poderia ser seu. Busquei, naquelas mesmas paginas virtuais (já havia buscado antes, mas sem saber teu nome, não consegui encontrar), você. Encontrei. Estava mais lindo que nunca. Nossa, senti a vitória correr por minhas veias.
Agora, de alguma forma fazia parte da minha vida. Tentei te encontrar e não consegui. Snif! Plus enfin, c’est la vie!
Saí, como de costume, pra celebrar a solidão em meio aos estranhos, acompanhada de algumas amigas. Falei com você, sem saber que era você. Depois soube. As idéias rolaram mente a dentro. Te vi, você nos esperava sem saber que eu estava junto, mesmo porque, quem iria imaginar que eu pudesse estar junto. Mas como eu queria que você estivesse a me esperar.
Falamos, bebemos, rimos e você se foi, assim, sem nenhum tchau, sem nada. Tudo bem, nós fomos também, mas eu dei tchau.
Outro bar, outros estranhos, muiiiiitos outros estranhos... Um pedaço do passado se apresenta e eu me alivio. Vejo que minha capacidade de destruição é bem menor do que suponho. Agradeço e fico feliz. Mas você ainda está lá, não me abandona, ainda mais depois de toda esta proximidade.
Em casa, vejo as fotos que tenho acesso (são poucas, porque te exclui daquele pedaço virtual de mundo devido as perturbações que tua imagem me causava), e te desejo.
Durmo bêbada, pensando em pegar teu numero, te ligar, te roubar pra mim, mesmo, assim na cara dura. Durmo mesmo!
Dia seguinte, ressaca mansa, desejo ardente. Brinco com sua imagem e me satisfaço, momentaneamente. Você aparece, assim, todo lindo, e eu, feliz, corro ao teu encontro. Falo, falo, falo o tempo todo, nem sei porque fiz aquilo! Você vai, mas agora, com toda delicadeza me da um tchau que fere, de leve, pois toma o lugar do convite, que desejei. Eu iria a qualquer lugar pra poder ficar ao teu lado. Você não estava com a mesma vontade.
Como sempre, preenchi meu dia com muitos atos solitários, outro dia, outro dia, outro dia... E você nem liga, nem vem, nem percebe, nem imagina o quanto estou tentando segurar a imensa vontade de te pegar pra mim...
Caio Fernando Abreu.
Teus olhos, decepcionados, encontraram finalmente os meus. Aquele foi o sinal de que nunca mais o teria novamente (se bem que nem cheguei a ter, mas queria).
Vida cheia, carteira vazia e muitos esforços pra sobreviver! Nenhuma novidade, até então. Viví e pronto. Números, escola, faculdade, eventos culturais, amigos, conversas longas e prazerosas. Canções! Teve de tudo nestes quase 5 anos que não nos vimos. Confesso, que nas poucas vezes que te encontrei senti imensa vontade de te beijar, assim, sem vergonha mesmo, mas me disseram que não podemos fazer isso... Ceder às próprias vontades pode ser um tanto perigoso. Fatal!
Ok, vontades a parte, encontros raríssimos, sonhos sonhados e não concretizados, acontecimentos sem importância, na maior parte dos dias, preenchem o vazio da minha existência. Novamente vivo.
A bem da verdade é que esteve sempre nos meus pensamentos, mesmo de longe, mesmo bemmmm distante, sempre habitou um pedaço, pequeno, reconheço, dos meus mais puros desejos. Acho que andei meio ocupada nestes tempos idos, também, eu nem sabia teu nome. Sabia que era diferente, e só.
Queria, naquele momento, poder encontrar alguém com quem pudesse compartilhar meus mais secretos desejos, e eis que me deparo, naquelas páginas virtuais, com um convite amistoso. Lá, naquele pedaço colorido de informação eu senti que poderia te encontrar. Achei o nome que poderia ser seu. Busquei, naquelas mesmas paginas virtuais (já havia buscado antes, mas sem saber teu nome, não consegui encontrar), você. Encontrei. Estava mais lindo que nunca. Nossa, senti a vitória correr por minhas veias.
Agora, de alguma forma fazia parte da minha vida. Tentei te encontrar e não consegui. Snif! Plus enfin, c’est la vie!
Saí, como de costume, pra celebrar a solidão em meio aos estranhos, acompanhada de algumas amigas. Falei com você, sem saber que era você. Depois soube. As idéias rolaram mente a dentro. Te vi, você nos esperava sem saber que eu estava junto, mesmo porque, quem iria imaginar que eu pudesse estar junto. Mas como eu queria que você estivesse a me esperar.
Falamos, bebemos, rimos e você se foi, assim, sem nenhum tchau, sem nada. Tudo bem, nós fomos também, mas eu dei tchau.
Outro bar, outros estranhos, muiiiiitos outros estranhos... Um pedaço do passado se apresenta e eu me alivio. Vejo que minha capacidade de destruição é bem menor do que suponho. Agradeço e fico feliz. Mas você ainda está lá, não me abandona, ainda mais depois de toda esta proximidade.
Em casa, vejo as fotos que tenho acesso (são poucas, porque te exclui daquele pedaço virtual de mundo devido as perturbações que tua imagem me causava), e te desejo.
Durmo bêbada, pensando em pegar teu numero, te ligar, te roubar pra mim, mesmo, assim na cara dura. Durmo mesmo!
Dia seguinte, ressaca mansa, desejo ardente. Brinco com sua imagem e me satisfaço, momentaneamente. Você aparece, assim, todo lindo, e eu, feliz, corro ao teu encontro. Falo, falo, falo o tempo todo, nem sei porque fiz aquilo! Você vai, mas agora, com toda delicadeza me da um tchau que fere, de leve, pois toma o lugar do convite, que desejei. Eu iria a qualquer lugar pra poder ficar ao teu lado. Você não estava com a mesma vontade.
Como sempre, preenchi meu dia com muitos atos solitários, outro dia, outro dia, outro dia... E você nem liga, nem vem, nem percebe, nem imagina o quanto estou tentando segurar a imensa vontade de te pegar pra mim...
Pensava ela ter o poder de voar e por isso voava. Olhava tudo de cima e nada o que acontecia na terra, lhe dizia respeito. Claro que com alguns acontecimentos mais graves ela se compadecia, mas de resto, nada lhe afetava. Vivia só, ela era pertencida pela solidão e nada fazia contra isso. Mesmo porque desconhecia o prazer da companhia.
Tinha uma vida bem normal, comia o que fora de costume comer, bebia tudo o que apreciava, mesmo que fizesse mal, não se importava, a menina era dada aos pequenos e delicados prazeres da vida.
Num dia de chuva, com trovões e tudo mais, a menina sentiu medo. Só não sabia o que fazer com ele. Pensou que pudesse estar doente, e ficou! Caiu de cama, muitos graus de febre, alucinações e desespero. Morreu!
Tinha uma vida bem normal, comia o que fora de costume comer, bebia tudo o que apreciava, mesmo que fizesse mal, não se importava, a menina era dada aos pequenos e delicados prazeres da vida.
Num dia de chuva, com trovões e tudo mais, a menina sentiu medo. Só não sabia o que fazer com ele. Pensou que pudesse estar doente, e ficou! Caiu de cama, muitos graus de febre, alucinações e desespero. Morreu!
É isso!
Solidão, que conhecia em contos, palavras, manifestações distantes da minha realidade conturbada. Ouvia dizer que seus danos são gravíssimos, e que, mesmo depois de uma vida repleta de solidão, a alma não se acostuma com seus caprichos e conseqüências.
Solidão, coisa presente no ser, que se desfaz em lágrimas tenras e complexas. Como explicar isto que acontece lá dentro, sem controle e nem contrato. Isso que consome, e destrói, e escraviza, e deixa vulnerável, a mercê de toda e qualquer armadilha que possa aparecer atrás de um sorriso doce, afável.
Como curar esta doença que nos toma a vida e nos transforma em gente? É, a gente cai... e cair na solidão é a maior das provas.
Lembro-me de minha ingênua e idiota crença de que a solidão era um tipo de frescura daqueles que queriam fazer drama. De que não passava de um sentimento vil, ao qual toda humanidade relegasse demasiada importância. Não acreditava poder existir. Me ferrei! Sofri! Caí! Agora estou aqui, atolada em seu lamaçal. Fede!
Sim, os bichos com os quais sou obrigada a conviver agora me devoram e deixam triste. Acontece... estou amarrada em frente ao espelho e não vejo saída. Os meus se preocupam, é evidente. Mas nada podem fazer. Não há cura! Penso, repasso milhares de vezes tudo que me restou da vida que tive até aqui. Peso, corto, dilacero minha alma e me envergonho, novamente, com tudo o que vivi. A lembrança da dor é tão cruel como a dor, deve ser por isso que nunca fiz questão de lembrar.
Mas agora, aqui, neste canto de mundo, não tenho muito o que fazer, senão me apegar as lembranças e com elas montar meu leito de núpcias. Tive sim dores na vida. Mas confesso, desta provocada pela solidão nunca havia chegado perto.
Antes da morte, esta que me trouxe ao calabouço, restava ainda muita coisa legal de tudo que eu sou. Eu via isso. Agora, neste reflexo que observo, não vejo nada de bom! Na-da!
Penso que isso possa ser um pesadelo, uma fantasia infantil sem nexo e num contexto enfadonho... quem sabe... as vezes, a realidade não é o que vemos.
Solidão, coisa presente no ser, que se desfaz em lágrimas tenras e complexas. Como explicar isto que acontece lá dentro, sem controle e nem contrato. Isso que consome, e destrói, e escraviza, e deixa vulnerável, a mercê de toda e qualquer armadilha que possa aparecer atrás de um sorriso doce, afável.
Como curar esta doença que nos toma a vida e nos transforma em gente? É, a gente cai... e cair na solidão é a maior das provas.
Lembro-me de minha ingênua e idiota crença de que a solidão era um tipo de frescura daqueles que queriam fazer drama. De que não passava de um sentimento vil, ao qual toda humanidade relegasse demasiada importância. Não acreditava poder existir. Me ferrei! Sofri! Caí! Agora estou aqui, atolada em seu lamaçal. Fede!
Sim, os bichos com os quais sou obrigada a conviver agora me devoram e deixam triste. Acontece... estou amarrada em frente ao espelho e não vejo saída. Os meus se preocupam, é evidente. Mas nada podem fazer. Não há cura! Penso, repasso milhares de vezes tudo que me restou da vida que tive até aqui. Peso, corto, dilacero minha alma e me envergonho, novamente, com tudo o que vivi. A lembrança da dor é tão cruel como a dor, deve ser por isso que nunca fiz questão de lembrar.
Mas agora, aqui, neste canto de mundo, não tenho muito o que fazer, senão me apegar as lembranças e com elas montar meu leito de núpcias. Tive sim dores na vida. Mas confesso, desta provocada pela solidão nunca havia chegado perto.
Antes da morte, esta que me trouxe ao calabouço, restava ainda muita coisa legal de tudo que eu sou. Eu via isso. Agora, neste reflexo que observo, não vejo nada de bom! Na-da!
Penso que isso possa ser um pesadelo, uma fantasia infantil sem nexo e num contexto enfadonho... quem sabe... as vezes, a realidade não é o que vemos.
terça-feira, 2 de março de 2010
Antigo fim - Vida pré-chapéu
Esqueço fácil tudo o que me fez, mas não me arrependo de ter parado de olhar em seus olhos. Eles se apagaram dentro de mim.Vamos sair na chuva meu amor e ver quem se molha mais, ou melhor, quem adoece primeiro, ou melhooorrrr, quem morre primeiro. A morte é maior que a vida, pelo menos, até onde sei: é eterna! Pensei que seria eterno também, mas não, é lindo e só... Hummmmm... Mentira também é inteligente e dissimulado! Deste ultimo eu adoro, porque me ensina a ser viva e a conseguir o que preciso com este ardor que passa rááápido... hahaha!!!!!
Vamos cantar à morte daquela criança que nos uniu em alma, daqueles sentimentos puros e sem medos que nos deixou tão próximos. Bem, agora que eles morreram não precisamos mais permanecer juntos... Não está de acordo meu bem???
Podemos chorar juntos se isso for deixar-te mais tranqüilo, mas, sinceramente, isso não me fará nenhuma diferença. Suas lágrimas não irão me causar nem um tipo de comoção. Chorarei, sim, com você, só pra que minha felicidade adquirida com sua ausência não te deixe mais deprimido do que já está. Não precisa se jogar do abismo do seu isolamento. Eu finjo e choro sem vontade, só pra te fazer sentir um pouquinho da felicidade que sinto em estar te deixando... Você, que não tem e nem nunca terá noção do quanto é prazeroso poder não voltar pros teus braços, você não sabe como é satisfatório não ter que sucumbir as suas mãos passeando pelo meu corpo, não ter que sentir o cheiro do seu hálito e nem mesmo olhar seu rosto amassado junto as dobras das fronhas dos travesseiros.
Não nasci pra você, nem ao menos nasci pra mim mesma, não me caibo, não me comporto, sou muito mais do que consigo transmitir e assim, além de meus próprios limites, das minhas próprias capacidades aparentes, sou um mundo sem fim, um universo caótico que não consegue imaginar onde se localiza seu centro.
Disse-te meu ex-amor, que não seria fácil viver ao meu lado, sou pior que qualquer pesadelo que possa ter e ainda assim sou melhor! Eu sei que é isso que te destrói e que te faz me querer, assim: completamente. Desculpe minha falta de modéstia, mas não quero te ofender também com falsas conversas que sabe que não fazem parte do meu repertório. Por alguns segundos, depois que te conheci inteiro, senti vontade de me dar a você, mesmo sem a mim pertencer. Mas, depois você me olhou no fundo dos olhos e eu pude me reconhecer dentro das suas idéias, te exclui dos meus sonhos, não quero partes que me compõem, quero partes inimagináveis, partes que não fazem parte daquilo que possa orbitar as margens do meu universo individual.
Me castre, arranque minhas mais sensíveis partes, me mostre que você é a única pessoa capaz de me destruir completamente e eu serei assim: inteiramente sua... Ou quase. Nunca queira de mim o que nem eu mesma possa ter, mas preste atenção: caso consiga me destruir, me desorientar, me depor dos meus próprios poderes, eu poderei ser mais adequada as minhas novas necessidades que, por sorte do destino, podem estar de acordo com as suas. Mas isso não é fácil, não pense que qualquer tipo de maldade me atinge, sou pior do que possa conceber, mas não sabes, porque do meu pior, que tem a certeza de estar cheio, não conheceste nem a menor das partes.
Puxa vida, estávamos tão bem antes de começar com aquelas mentirinhas consoladoras dos otários que buscam ser bajulados. Eu nunca quis ser agradada, quando você conseguir entender que o que quero de você é exatamente o oposto daquilo que me deu, quando você conseguir perceber... Quando abrir seu entendimento e passar a respeitar minha inteligência, minha capacidade de raciocínio, todos meus anos de estudo e vida... Você não irá entender e eu nunca serei sua, nunca!!!
Oh meu ex-amor, sinto muito por só sentir felicidade em dar as costas a você, queria ao menos sentir sua falta, mas não, não consigo sentir nada além de uma gigantesca vontade de tomar uma dose de tequila e fumar um longo e prazeroso cigarro, sozinha, naquele bar que espero que pare de freqüentar porque é o meu preferido, olhando para o próximo a quem irei abandonar, assim que me encher de bajulações e tédio.
É que eu sou assim: feliz e solitária, feita só para raros e você é tão comum!
Eu vou, e tenha certeza que pra você não deixo mais que a sombra do meu rastro, e quando olhar para o meu caminho entenda: ele não é o mesmo que o seu, então, decida sua vida e fique com todas as marcas que deixei em sua alma, porque de você, só restaram em mim leves e apagadas lembranças, que deixarão de existir assim que postar esta carta.
Vamos cantar à morte daquela criança que nos uniu em alma, daqueles sentimentos puros e sem medos que nos deixou tão próximos. Bem, agora que eles morreram não precisamos mais permanecer juntos... Não está de acordo meu bem???
Podemos chorar juntos se isso for deixar-te mais tranqüilo, mas, sinceramente, isso não me fará nenhuma diferença. Suas lágrimas não irão me causar nem um tipo de comoção. Chorarei, sim, com você, só pra que minha felicidade adquirida com sua ausência não te deixe mais deprimido do que já está. Não precisa se jogar do abismo do seu isolamento. Eu finjo e choro sem vontade, só pra te fazer sentir um pouquinho da felicidade que sinto em estar te deixando... Você, que não tem e nem nunca terá noção do quanto é prazeroso poder não voltar pros teus braços, você não sabe como é satisfatório não ter que sucumbir as suas mãos passeando pelo meu corpo, não ter que sentir o cheiro do seu hálito e nem mesmo olhar seu rosto amassado junto as dobras das fronhas dos travesseiros.
Não nasci pra você, nem ao menos nasci pra mim mesma, não me caibo, não me comporto, sou muito mais do que consigo transmitir e assim, além de meus próprios limites, das minhas próprias capacidades aparentes, sou um mundo sem fim, um universo caótico que não consegue imaginar onde se localiza seu centro.
Disse-te meu ex-amor, que não seria fácil viver ao meu lado, sou pior que qualquer pesadelo que possa ter e ainda assim sou melhor! Eu sei que é isso que te destrói e que te faz me querer, assim: completamente. Desculpe minha falta de modéstia, mas não quero te ofender também com falsas conversas que sabe que não fazem parte do meu repertório. Por alguns segundos, depois que te conheci inteiro, senti vontade de me dar a você, mesmo sem a mim pertencer. Mas, depois você me olhou no fundo dos olhos e eu pude me reconhecer dentro das suas idéias, te exclui dos meus sonhos, não quero partes que me compõem, quero partes inimagináveis, partes que não fazem parte daquilo que possa orbitar as margens do meu universo individual.
Me castre, arranque minhas mais sensíveis partes, me mostre que você é a única pessoa capaz de me destruir completamente e eu serei assim: inteiramente sua... Ou quase. Nunca queira de mim o que nem eu mesma possa ter, mas preste atenção: caso consiga me destruir, me desorientar, me depor dos meus próprios poderes, eu poderei ser mais adequada as minhas novas necessidades que, por sorte do destino, podem estar de acordo com as suas. Mas isso não é fácil, não pense que qualquer tipo de maldade me atinge, sou pior do que possa conceber, mas não sabes, porque do meu pior, que tem a certeza de estar cheio, não conheceste nem a menor das partes.
Puxa vida, estávamos tão bem antes de começar com aquelas mentirinhas consoladoras dos otários que buscam ser bajulados. Eu nunca quis ser agradada, quando você conseguir entender que o que quero de você é exatamente o oposto daquilo que me deu, quando você conseguir perceber... Quando abrir seu entendimento e passar a respeitar minha inteligência, minha capacidade de raciocínio, todos meus anos de estudo e vida... Você não irá entender e eu nunca serei sua, nunca!!!
Oh meu ex-amor, sinto muito por só sentir felicidade em dar as costas a você, queria ao menos sentir sua falta, mas não, não consigo sentir nada além de uma gigantesca vontade de tomar uma dose de tequila e fumar um longo e prazeroso cigarro, sozinha, naquele bar que espero que pare de freqüentar porque é o meu preferido, olhando para o próximo a quem irei abandonar, assim que me encher de bajulações e tédio.
É que eu sou assim: feliz e solitária, feita só para raros e você é tão comum!
Eu vou, e tenha certeza que pra você não deixo mais que a sombra do meu rastro, e quando olhar para o meu caminho entenda: ele não é o mesmo que o seu, então, decida sua vida e fique com todas as marcas que deixei em sua alma, porque de você, só restaram em mim leves e apagadas lembranças, que deixarão de existir assim que postar esta carta.
UM NOVO FIM - Mon Chapeau Rouge
Estava ela sem saber o que fazer. Tinha acabado de voltar de uma viagem ao velho mundo, abismada com a quantidade de velhos que por lá havia encontrado. Não era aquela terra prometida, que enquanto primeiro mundo, apresentava as melhores condições em tudo? Não, em momento algum, do outro lado daquele oceano negro, conseguira soltar um único sorriso verdadeiro, daquele que vem da alma, e a moça tinha riso fácil de costume.
Sobre o vaso sanitário, fumando seu cigarro pré-banho e tentando entender o que havia acontecido a moça olhava seu rosto no espelho. Não chegou a conclusão alguma. Tomou banho. Depois, com menos disposição, como era de se esperar, pois havia enfrentado 27 horas de viagem, comeu um pouco do tão sonhado arroz com feijão e pode cair em sua deliciosa e confortável cama. Dormiu por tantas horas quantas foram necessárias, neste caso, 6. Acordou exausta. Mas com a sensação de não saber onde estava exatamente. Sua adorável mãe apareceu e lhe deu um sorriso que há dias sonhava. Ela estava satisfeita com seu retorno.
Não conseguia falar muito, porque ficou um longo tempo em silencio por não conseguir se comunicar. Tinha descoberto o caminho do inferno, e ele começava no momento em que as incompatibilidade idiomática surge. Não saber se comunicar é a sensação mais desesperadora que existia para ela. Mas como os costumes, ainda que ruins, são facilmente absorvidos pelo ser humano, a menina havia acostumado com o silencio. Quando alguém perguntava algo sobre sua tão sonhada viagem, ela simplesmente respondia: não existe lugar melhor do que sua própria casa. É fundamental ter raiz. Mas é mais fundamental ter galhos que sabem falar com todos os tipos de ventos, um dia você vai precisar.
O telefone toca. As pessoas chegam. Abraços, beijos, falas e mais falas e mais falas. Ela se emociona de ver tanta gente falando ao mesmo tempo e se da conta de que lá, no velho mundo, eles são tão civilizados que cada um espera sua hora para falar, tudo muito parecido com as novelas ruins que passam na tv, e o predomínio insuportável das palavras sil te plâit e merci já não existe mais, é a glória, poder ser menos educada e mais expressiva é condição fundamental para sua felicidade.
Nunca havia sido uma pessoa de classe, mas também nunca havia falhado em sua sensata educação. Não em sã consciência! As vezes de bebedeira deveriam ser desconsideradas, pois quem é que permanece educado após algumas doses de qualquer álcool? Nunca conseguiu ficar bêbada no velho mundo, e olha que bebeu quase todos os dias.
Pensou que não iria voltar, que ia fixar residência naquele reino distante. Sonhava com o amor e até chegou a acreditar que poderia ter uma vida feliz apesar de ter que se casar. Mas como não podia deixar de ser, o mocinho não usava o mesmo tipo chapéu. Ele havia lhe prometido chances e oportunidades. E porque ela o amava acima de todas as outras coisas, ele pensou que poderia fazer com sua vida o que ele quisesse. Só que ele esqueceu que a menina tinha uma personalidade fortíssima, apesar de seu jeitinho delicado e doce.
O mocinho, a principio, o príncipe de seus mais nobres sonhos, não correspondeu as suas expectativas. Era teimoso demais para poder manter sua delicadeza. No seu reino, que era gelado, apresentou-se com um coração frio e distante, que nem embaixo dos cobertores esquentava. Ela sentiu frio. Quis realizar os sonhos há anos sonhados, mas o mocinho nem havia preparado a cama para que eles pudessem se deitar. Ela sentiu frio. Apesar de todo o carinho e amor recebido por parte de todas as outras pessoas daquele reino-iceberg, a menina do chapeau rouge decidiu juntar suas coisas e voltar a sua vila onde o brilho existe do chão ao céu, e com maior força nos olhos dos seus tesouros que havia deixado pra trás. Tinha inúmeros tesouros e sabia disso antes de ir, decidira abandona-los pelo sonho do mais doce amor. Tolice! Mas ela ainda não sabia disso.
Decidida a retornar ao reino-iceberg em busca de seu amor, a mocinha se dedica freneticamente ao aprendizado do idioma que já arranhava um pouco, para poder retomar o sonho antigo, mais apta a sobreviver no inverno da vida. Ela já sabe falar melhor sobre as choses da vie, mas não consegue encher seu coração de alegria ao dizer que vai morar naquele reino encantado. Volta a sua rotina antiga, se apaixona ainda mais pelos seus preciosos tesouros, e o mocinho a quem amava se esforça para recebê-la de volta. Mas seu esforço é pesado, tão pesado que ele fica, aos olhos da menina, ainda mais intransigente. Ela se decepciona mais uma vez, e por não querer se submeter novamente aos caprichos do seu amado, ela o fere de forma ácida e agressiva. Ele sente. Sente tanto que corta os contatos diários.
Ela sofre, mas se sente aliviada. Ele sofre.
Não sabem como se aproximar. De repente um oi surge, seguido de uma fala do tipo: “e aí, o que que a gente faz da vida?” a mocinha fica sem reação. Naquele instante, com aquela pergunta, ela percebe que, apesar do mocinho continuar sendo o seu grande amor, eles não compartilham o mesmo tipo de chapéu, e o que é pior, não olham para a mesma direção. Ela entende que por mais que seu maior sentimento seja por aquele ser, que já não é mais tão maravilhoso assim, mas é o ser que ela ama, ainda, ela não pode deixar de lado tudo o que carrega dentro de seu chapeau rouge e do seu coração selvagem.
Chegam juntos a um consenso: c’est fini! Pour toujours? Quem sabe? Já fizeram isso tantas vezes...
Agora a menina do chapeau rouge assume sua vida, sozinha, sentada, na beirinha do nada, olhando o céu... Pode cair, a qualquer momento, mas prefere observar o infinito! O abismo é pequeno demais para comportar seus anseios. Ao olhar as estrelas, sente saudades, mas opta por contemplar, a distância, aquele lindo sonho que ficou pra trás. Não deixa de querer por perto seu amor, ainda que teimoso e frio, mas não sente a menor disposição para deixar de lado seus bens mais preciosos, que tem nos olhares, os brilhos de todas as estrelas do universo.
Sobre o vaso sanitário, fumando seu cigarro pré-banho e tentando entender o que havia acontecido a moça olhava seu rosto no espelho. Não chegou a conclusão alguma. Tomou banho. Depois, com menos disposição, como era de se esperar, pois havia enfrentado 27 horas de viagem, comeu um pouco do tão sonhado arroz com feijão e pode cair em sua deliciosa e confortável cama. Dormiu por tantas horas quantas foram necessárias, neste caso, 6. Acordou exausta. Mas com a sensação de não saber onde estava exatamente. Sua adorável mãe apareceu e lhe deu um sorriso que há dias sonhava. Ela estava satisfeita com seu retorno.
Não conseguia falar muito, porque ficou um longo tempo em silencio por não conseguir se comunicar. Tinha descoberto o caminho do inferno, e ele começava no momento em que as incompatibilidade idiomática surge. Não saber se comunicar é a sensação mais desesperadora que existia para ela. Mas como os costumes, ainda que ruins, são facilmente absorvidos pelo ser humano, a menina havia acostumado com o silencio. Quando alguém perguntava algo sobre sua tão sonhada viagem, ela simplesmente respondia: não existe lugar melhor do que sua própria casa. É fundamental ter raiz. Mas é mais fundamental ter galhos que sabem falar com todos os tipos de ventos, um dia você vai precisar.
O telefone toca. As pessoas chegam. Abraços, beijos, falas e mais falas e mais falas. Ela se emociona de ver tanta gente falando ao mesmo tempo e se da conta de que lá, no velho mundo, eles são tão civilizados que cada um espera sua hora para falar, tudo muito parecido com as novelas ruins que passam na tv, e o predomínio insuportável das palavras sil te plâit e merci já não existe mais, é a glória, poder ser menos educada e mais expressiva é condição fundamental para sua felicidade.
Nunca havia sido uma pessoa de classe, mas também nunca havia falhado em sua sensata educação. Não em sã consciência! As vezes de bebedeira deveriam ser desconsideradas, pois quem é que permanece educado após algumas doses de qualquer álcool? Nunca conseguiu ficar bêbada no velho mundo, e olha que bebeu quase todos os dias.
Pensou que não iria voltar, que ia fixar residência naquele reino distante. Sonhava com o amor e até chegou a acreditar que poderia ter uma vida feliz apesar de ter que se casar. Mas como não podia deixar de ser, o mocinho não usava o mesmo tipo chapéu. Ele havia lhe prometido chances e oportunidades. E porque ela o amava acima de todas as outras coisas, ele pensou que poderia fazer com sua vida o que ele quisesse. Só que ele esqueceu que a menina tinha uma personalidade fortíssima, apesar de seu jeitinho delicado e doce.
O mocinho, a principio, o príncipe de seus mais nobres sonhos, não correspondeu as suas expectativas. Era teimoso demais para poder manter sua delicadeza. No seu reino, que era gelado, apresentou-se com um coração frio e distante, que nem embaixo dos cobertores esquentava. Ela sentiu frio. Quis realizar os sonhos há anos sonhados, mas o mocinho nem havia preparado a cama para que eles pudessem se deitar. Ela sentiu frio. Apesar de todo o carinho e amor recebido por parte de todas as outras pessoas daquele reino-iceberg, a menina do chapeau rouge decidiu juntar suas coisas e voltar a sua vila onde o brilho existe do chão ao céu, e com maior força nos olhos dos seus tesouros que havia deixado pra trás. Tinha inúmeros tesouros e sabia disso antes de ir, decidira abandona-los pelo sonho do mais doce amor. Tolice! Mas ela ainda não sabia disso.
Decidida a retornar ao reino-iceberg em busca de seu amor, a mocinha se dedica freneticamente ao aprendizado do idioma que já arranhava um pouco, para poder retomar o sonho antigo, mais apta a sobreviver no inverno da vida. Ela já sabe falar melhor sobre as choses da vie, mas não consegue encher seu coração de alegria ao dizer que vai morar naquele reino encantado. Volta a sua rotina antiga, se apaixona ainda mais pelos seus preciosos tesouros, e o mocinho a quem amava se esforça para recebê-la de volta. Mas seu esforço é pesado, tão pesado que ele fica, aos olhos da menina, ainda mais intransigente. Ela se decepciona mais uma vez, e por não querer se submeter novamente aos caprichos do seu amado, ela o fere de forma ácida e agressiva. Ele sente. Sente tanto que corta os contatos diários.
Ela sofre, mas se sente aliviada. Ele sofre.
Não sabem como se aproximar. De repente um oi surge, seguido de uma fala do tipo: “e aí, o que que a gente faz da vida?” a mocinha fica sem reação. Naquele instante, com aquela pergunta, ela percebe que, apesar do mocinho continuar sendo o seu grande amor, eles não compartilham o mesmo tipo de chapéu, e o que é pior, não olham para a mesma direção. Ela entende que por mais que seu maior sentimento seja por aquele ser, que já não é mais tão maravilhoso assim, mas é o ser que ela ama, ainda, ela não pode deixar de lado tudo o que carrega dentro de seu chapeau rouge e do seu coração selvagem.
Chegam juntos a um consenso: c’est fini! Pour toujours? Quem sabe? Já fizeram isso tantas vezes...
Agora a menina do chapeau rouge assume sua vida, sozinha, sentada, na beirinha do nada, olhando o céu... Pode cair, a qualquer momento, mas prefere observar o infinito! O abismo é pequeno demais para comportar seus anseios. Ao olhar as estrelas, sente saudades, mas opta por contemplar, a distância, aquele lindo sonho que ficou pra trás. Não deixa de querer por perto seu amor, ainda que teimoso e frio, mas não sente a menor disposição para deixar de lado seus bens mais preciosos, que tem nos olhares, os brilhos de todas as estrelas do universo.
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